- Unidades de conservação
- 2000 - 2001
- Completed
Em conjunto com a graduada do nosso programa de treinamento, a bióloga peruana Carmela Landeo, a CSF ajudou a examinar os reais impactos econômicos promovidos pela construção de estradas e exploração de madeira em comunidades indígenas na Amazônia. Landeo, que participou de nosso primeiro curso de treinamento em 1999, estudou as mudanças ocorridas nas florestas e na renda de lares devido à exploração industrial da extração de madeira, o que tem direcionado as comunidades indígenas à economia de dinheiro. Landeo estudou as comunidades de Shintuya e Shipeteari, ambas às margens do Parque Nacional de Manu e a Reserva Comunal de Amarakaeri.
A Reserva de Amarakaeri foi proposta em consideração ao trabalho desenvolvido pelo Landeo e pela CSF. Seu estabelecimento significou mais direitos para os indígenas e menos desenvolvimento industrial. O estudo teve como objetivo informar políticos Peruanos, os quais freqüentemente têm assumido que a construção de novas estradas, bem como a oportunidade de se vender madeira e outras fontes de riqueza, poderiam inequivocamente melhorar o nível de vida das comunidades indígenas.
Nosso trabalho com Carmela é mostrar que o oposto pode ser a verdade. Ela levantou dados da subsistência e dinheiro, provenientes de caça, pesca, agricultura, extração de madeira e trabalho assalariado, e constatou que as pessoas isoladas de Shipeteari possuem renda cinco vezes maior do que aquelas com mais experiência e fácil acesso em Shintuya. A floresta explica muito dessa diferença. As florestas de Shipeteari são ecologicamente intactas, ainda assim produzem peixes, caça e o solo que pode suportar pequenas areas de agricultura. A extração de madeira tem destruído as florestas de Shintya e corroído as habilidades de se prosperar em um ambiente florestal. Em verdade, a extração de madeira tem ido à bancarrota – isto gerou lucros no passado – mas a incapacidade das pessoas em salvar e investir dinheiro ocasionou esse inevitável ciclo de falência dentro de uma trágica economia.
O material desenvolvido foi compartilhado com oficiais do Instituto Nacional de Recursos Naturais (INRENA), encarregado do planejamento e zoneamento da Reserva Comunal de Amarakaeri, a qual foi subsequentemente decretada “Reserva” pelo Governo Peruano em 2002. As descobertas desses estudos são imediatamente relevantes para questões de infra-estrututra e políticas florestais, assim como para a tomada de decisões por parte do governo e das comunidades, a fim de se definirem as atividades que serão promovidas na nova reserva, localizada num corredor biológico vital que liga Vicabamaba-Amboró. O estudo de Carmela Landeo em parceria com a CSF mostra, com números, como estradas e derrubadas de árvores podem desfazer comunidades ao mesmo tempo em que destrõem a floresta.
Circular da CSF
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